História real de dois jovens brasileiros que se conheceram no Twitter, criaram startups e venderam a Brex por US$ 5,15 bilhões nos EUA.
Uma simples conversa sobre programação em uma rede social mudou o destino de dois adolescentes brasileiros. O que começou como uma troca de mensagens técnicas no antigo Twitter se transformou em uma das maiores histórias de sucesso do empreendedorismo brasileiro recente.
Henrique Dubugras e Pedro Franceschi venderam a startup Brex por US$ 5,15 bilhões, cerca de R$ 27 bilhões. Além do valor impressionante, a trajetória chama atenção porque nasce de algo comum: curiosidade, amizade e interesse genuíno por tecnologia.
Essa história mostra, de forma prática, como conexões digitais podem gerar negócios globais quando se unem visão estratégica, execução consistente e capacidade de resolver problemas reais de mercado.
Como a história começou: programação, redes sociais e conexão real
Tudo começou em dezembro de 2012, quando Henrique Dubugras, de São Paulo, e Pedro Franceschi, do Rio de Janeiro, ainda estavam no ensino médio. Ambos eram autodidatas em programação e usavam o Twitter para discutir temas técnicos como editores de texto e código.
Na época, a limitação de 140 caracteres dificultava qualquer debate aprofundado. Por isso, a conversa evoluiu naturalmente para uma chamada no Skype. Nesse ambiente mais direto, o tom mudou. O que era discussão técnica virou troca de ideias, parceria intelectual e, logo depois, amizade.
Além disso, a comunicação fora da rede social permitiu uma conexão mais humana. Esse vínculo pessoal se tornou o primeiro pilar de uma futura sociedade empresarial, algo comum em grandes histórias de startups bem-sucedidas.
Pagar.me: o primeiro negócio e a base do aprendizado
Em 2013, ainda muito jovens, Henrique e Pedro fundaram a startup Pagar.me, no Brasil. A empresa surgiu para resolver um problema claro: facilitar pagamentos online em um mercado que ainda estava em fase de expansão.
A solução permitia que vendedores recebessem pagamentos pela internet de forma mais simples, estruturada e segura. Como resultado, a startup cresceu rapidamente e passou a chamar atenção do setor financeiro e tecnológico.
Pouco tempo depois, a Pagar.me foi vendida para a Stone. Esse movimento não representou apenas um ganho financeiro, mas também um salto de aprendizado sobre escala, gestão, produto e mercado.
Stanford, Vale do Silício e a decisão de empreender novamente
Com os recursos da venda, os dois foram para os Estados Unidos estudar na Stanford University, uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Ingressaram no curso de ciência da computação, buscando aprofundar a formação técnica.
Contudo, o ambiente do Vale do Silício despertou algo maior. O contato com startups, investidores e inovação constante fortaleceu o espírito empreendedor. Em 2017, ambos decidiram abandonar a universidade para fundar a Brex.
Essa decisão seguiu um padrão comum no ecossistema de tecnologia: priorizar execução e mercado real em vez do caminho acadêmico tradicional.
Brex: resolver um problema real do mercado americano
A Brex nasceu para resolver um problema específico das startups nos Estados Unidos. Bancos tradicionais exigiam histórico financeiro extenso para oferecer contas corporativas, cartões e crédito, algo inviável para empresas em estágio inicial.
Por isso, a Brex criou soluções de gestão de despesas, contas corporativas, pagamentos e análise de risco, baseadas em novos critérios. Assim, startups passaram a acessar serviços financeiros sem depender dos modelos tradicionais.
Como resultado, a empresa cresceu rapidamente e se tornou referência no setor de fintechs, atendendo milhares de startups e empresas de tecnologia.
Principais soluções da Brex
- Gestão inteligente de despesas corporativas
- Contas empresariais digitais
- Pagamentos integrados
- Modelos alternativos de análise de risco
Valuation bilionário e crescimento acelerado
Em 2022, a Brex alcançou um valuation de aproximadamente US$ 12,3 bilhões após uma rodada de investimentos que dobrou o valor da empresa. Nesse momento, Henrique Dubugras e Pedro Franceschi já se tornavam bilionários.
Esse crescimento consolidou a Brex como uma das principais fintechs do ecossistema global, reforçando sua relevância no mercado financeiro e tecnológico.
A venda para a Capital One e o novo capítulo da empresa
A história ganhou um novo marco com a aquisição da Brex pela Capital One por US$ 5,15 bilhões. Apesar da operação, a estrutura da empresa foi preservada.
Pedro Franceschi permanece como CEO, garantindo continuidade estratégica. Henrique Dubugras, por outro lado, passa a integrar o conselho de administração, mantendo influência nas decisões da companhia.
Um símbolo do novo empreendedorismo brasileiro
Mais do que números, essa trajetória simboliza uma transformação no perfil do empreendedorismo brasileiro. Jovens conectados, formados em ambientes digitais e com visão global conseguem criar empresas competitivas no cenário internacional.
Além disso, a história mostra que grandes negócios podem nascer de conexões simples, quando existe curiosidade, consistência, visão de longo prazo e capacidade de execução.
A venda da Brex representa mais do que um marco financeiro. Ela consolida o protagonismo de empreendedores brasileiros no ecossistema global de tecnologia e inovação.
A trajetória de Henrique Dubugras e Pedro Franceschi prova que ideias simples, quando conectadas a propósito, estratégia e ação, podem gerar impactos globais — mesmo quando tudo começa com uma conversa em uma rede social.

