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Pouca gente sabe, mas abastecer o próprio carro é proibido no Brasil

Descubra por que abastecer o próprio carro é proibido no Brasil desde 2000 e entenda o debate sobre empregos, segurança e preço da gasolina.

Você já percebeu que, quando chega a um posto de gasolina no Brasil, sempre há um frentista responsável por abastecer o veículo? Para muitos motoristas, isso parece apenas uma tradição do país. No entanto, a verdade é outra: abastecer o próprio carro é proibido no Brasil por lei.

Essa regra existe há mais de duas décadas e continua gerando debates entre empresários, especialistas e consumidores. Enquanto alguns defendem que ela protege milhares de empregos, outros dizem que a proibição limita a liberdade de escolha e pode até impactar a forma como os postos funcionam.

Afinal, por que não pode abastecer o próprio carro no Brasil? A resposta envolve história, legislação e uma discussão que está longe de terminar. Entenda tudo sobre o tema a seguir.

frentista abastecendo carro em posto de gasolina no brasil
No Brasil, a lei determina que apenas frentistas podem abastecer veículos nos postos. (Imagem: Pexels)

Por que abastecer o próprio carro é proibido no Brasil?

Muita gente se surpreende ao descobrir que abastecer o próprio carro é proibido no Brasil, mas essa é uma realidade desde 2000. A regra foi criada pela Lei nº 9.956, sancionada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

O principal objetivo da lei era simples: proteger empregos de frentistas.

Na época, havia um receio de que o modelo de autosserviço — já comum em vários países — pudesse provocar demissões em massa no setor.

O projeto defendia que manter o atendimento humano nos postos ajudaria a preservar centenas de milhares de vagas.

Segundo estimativas apresentadas na discussão da lei, a medida teria ajudado a proteger cerca de 300 mil postos de trabalho.

Por isso, até hoje, o motorista brasileiro não pode sair do carro e pegar a bomba de combustível por conta própria.

Mas por que outros países permitem o autosserviço?

Enquanto o Brasil optou por proibir, muitos países seguiram o caminho oposto.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o autosserviço começou a ganhar força a partir da década de 1960. Com o avanço da tecnologia e dos sistemas de pagamento direto na bomba, o modelo se tornou cada vez mais comum.

Hoje, em praticamente todos os estados americanos, o próprio motorista abastece o carro. Apenas alguns poucos locais mantiveram restrições por muito tempo.

O sistema funciona de forma simples:

  1. o motorista paga no caixa ou na própria bomba;
  2. libera o combustível;
  3. abastece o veículo sozinho.

Esse formato foi adotado por diversos países porque reduz custos operacionais e agiliza o atendimento.

Mesmo assim, o Brasil manteve o modelo tradicional com frentistas, baseado na legislação criada em 2000.

Quem defende manter os frentistas nos postos?

Quem apoia a manutenção da regra diz que o frentista não representa apenas um custo para o posto de combustível. Para muitos especialistas do setor, ele faz parte do serviço oferecido ao consumidor.

Entre os argumentos mais usados estão:

  • Segurança: combustíveis são inflamáveis e exigem cuidados no manuseio.
  • Experiência do cliente: o atendimento facilita o serviço, principalmente para idosos.
  • Empregos: a função ainda representa milhares de vagas no país.

Sindicatos também afirmam que o ambiente de um posto de gasolina envolve substâncias perigosas e exige treinamento adequado.

Por isso, defendem que liberar o autosserviço poderia aumentar riscos tanto para os consumidores quanto para os próprios estabelecimentos.

Liberar o autosserviço faria a gasolina ficar mais barata?

Esse é um dos pontos mais discutidos no debate.

Muitas pessoas acreditam que permitir que o motorista abasteça o próprio carro reduziria o preço da gasolina. Porém, alguns estudos mostram que o impacto talvez seja menor do que se imagina.

Uma análise do DIEESE indicou que o custo do trabalho dos frentistas representa menos de 2% do valor total da venda de combustíveis.

Na prática, isso significaria cerca de alguns centavos por litro.

Grande parte do preço da gasolina no Brasil está ligada a fatores muito mais pesados, como:

  • impostos federais e estaduais;
  • custos de produção e refino;
  • logística e distribuição;
  • políticas de preços.

Ou seja, mesmo que o autosserviço fosse liberado, a redução no preço final poderia ser pequena.

Discussão sobre liberar o autosserviço continua

Apesar de a lei continuar válida, o tema ainda aparece frequentemente em debates políticos e no setor de combustíveis.

Alguns projetos já foram apresentados para revogar a proibição e permitir que o motorista abasteça o próprio carro.

A ideia é que os postos possam escolher entre diferentes modelos de atendimento.

Uma proposta considerada por especialistas seria criar um sistema misto, composto basicamente da seguinte forma:

  • bombas com frentistas;
  • bombas de autosserviço.

Assim, o consumidor poderia escolher como prefere abastecer.

Em suma, quem valoriza praticidade manteria o atendimento tradicional. Por outro lado, quem preferisse autonomia poderia usar o sistema self-service.

Uma lei antiga em um mercado que mudou

O debate sobre abastecer o próprio carro mostra como uma regra criada há mais de duas décadas ainda levanta dúvidas hoje.

De um lado, há quem defenda a proteção dos empregos e a segurança no manuseio do combustível. Do outro, existe o argumento de que a legislação impede inovação e liberdade de escolha.

Enquanto essa discussão continua, uma coisa é certa: no Brasil, o motorista ainda depende do frentista para abastecer o carro.

E agora que você sabe disso, fica a pergunta: você preferiria continuar sendo atendido ou gostaria de poder abastecer o próprio veículo?

Bruna Tinti

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